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quarta-feira, 25 de março de 2015
HORIZONTE Nº 2
Que possamos continuar sonhando.
E que nem todos os nossos sonhos se realizem.
Alguns precisam resistir e continuar a ser sonhos,
pra que tenhamos sempre algo que buscar.
Pra que tenhamos sempre um horizonte,
incógnito, incerto, desejável...
Um horizonte distante o suficiente
para alimentar em nós o desejo de caminhar.
O desejo de caminhar muitos e muitos passos...
Que alguns de nossos sonhos se percam pelo caminho!
Para que nos surja a ideia de substituí-los,
e para que possamos pensar na efemeridade
das coisas, da vida, e dos próprios sonhos.
Que tenhamos sonhos possíveis
e sonhos irrealizáveis.
E que assim possamos experimentar
o sucesso e o sofrimento na medida certa.
Que eles sejam honestos com nosso coração.
Que eles sejam, realmente,
os nossos sonhos...
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SONHOS
HORIZONTE
Agora um sol reconhece teu dia.
Antes a escuridão – densa, impiedosa – te acorrentava:
assim te libertou das tolas púrpuras que te encobriam,
que ofuscavam teus olhos, que reprimiam tua alma,
que sufocavam tua loucura...
Agora, radiante de rebeldia, podes experimentar uma
liberdade quase real (porque jamais somos de todo livres).
Podes mostrar teu belo rosto sem maquiagens;
podes sorrir sem medo do ridículo;
podes calar-te sem medo do silêncio.
Buscar novos destinos,
traçar um novo caminho para o velho destino,
andar sem rumo...
Tudo é melhor que parar!
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REBELDIA. MILTON GIARETTA
sexta-feira, 6 de junho de 2014
ALFORRIA
Vá-te daqui, tola poesia!
Já não te reconheço.
Me foste honesta e submissa,
mas, agora, tudo que me dizes são melancolias:
palavras brancas e aladas,
doces e aveludadas,
pra uns olhos que não esqueço...
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SELVAGEM
Muitas
esperanças para assassinar
e
poucas chances de redenção:
o
mundo abaixo das linhas imaginárias
ama
violentamente.
E
eu tolo e eu poeta...
Definitivamente,
o amor foi feito para
corações
simples.
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SELVAGEM
sexta-feira, 30 de maio de 2014
WHO MADE WHO?
Você não pode ser tudo o que querem que seja,
nem pode ter tudo o que buscam em você.
Você não pode ser o profeta de que necessitam.
E não pode ser sempre bom, nem sempre forte.
Tampouco pode ser sempre pontual, ou sempre correto...
Você não pode ser sempre o que querem que seja.
Mas pode ser muito melhor que isso.
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WHO MADE WHO?
VINTE
Por que eles me olham assim
como os loucos das avenidas que bradam por nada?
Decerto sabem que não resisto a também olhá-los,
que não sei fazer disfarce.
A janela oferece uma paisagem tão vasta,
um mundo tão longo...
E eles, por detrás dessa fileira de almas,
insistem em mirar-me.
São os mais distantes
e tenho medo de pensar que são os mais bonitos...
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VINTE
SALA DE VISITAS
E se esse amor chegar inesperado, inusitado?
E se chegar, repentino e indiscreto, como uma enxurrada, como um terremoto: sacudindo as estruturas, sem dar tempo para reações ou protestos?
E se, mesmo ansiosos por sua chegada, ele nos deixar sem ação?
Se ele nos desarmar com a primeira lufada de sua
presença em nosso peito?
Se esse amor for azul, ou rosa, ou verde? E se ele for
jovem demais? Ou velho demais? Se ele for iletrado... se
for poeta... e se for punk?
E se, por acaso, ele nos vier dizer verdades que não
queremos ouvir? E se ele nos disser mentiras que nos
satisfaçam? E se ele nos trouxer culpas? Se nos tranquilizar e nos acomodar?
Se esse amor vier virtual, ou em sonhos, ou em uma
estação: já de partida a olhar pela janela pra nunca mais voltar?
E se não for pra nunca mais?
E se esse amor não chegar assim tão repentino? E se já
tiver chegado, discreto e, igualmente, inusitado? E se,
taciturno, já nos tiver olhado nos olhos e nos dito verdades ou mentiras ou poemas ou bobagens? Se, laconicamente silencioso, ele já nos tiver desarmado?
E se esse amor já for real? E se já for eterno?
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SALA DE VISITAS
EVENTUAL
guardaremos da noite esses sabores
dos toques do desejo da euforia
e da janela aos primeiros rubores
apreciaremos o nascer do dia
e diante de teu rosto iluminado
de luz e cor o céu se cobrirá
envaidecido pelo teu olhar
e pelos tons de tua pele acanhado
guardaremos da noite só lembranças
a manhã preguiçosa romperemos
e deixaremos tudo no passado
por essas ruas nenhuma esperança
nenhum medo ou certeza levaremos
só um momento pra ser redesenhado
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
PRESENTEIE-SE
Se a vida é corrida e atarefada, se dê
de presente um
pouco de tempo. Tempo com as pessoas que
lhe fazem
sentir-se bem, com seu animal de
estimação, com sua
música preferida, com o silêncio,
consigo... Porque tempo
não é dinheiro. Tempo é oportunidade
para ser feliz.
Se os projetos estão difíceis de realizar, presenteie-se com
sonhos. Porque cada sonho é um novo
projeto: uma nova
opção para transformar-se em realidade.
Se um amor te faz sofrer, regale-se com um bom rock’n
roll, uma coca-cola gelada, uma roupa
nova ou uma
tarde com os amigos. Amores existem pra
nos fazer bem.
Quando não fazem, é hora de serem
momentaneamente
preteridos, pra que possam, quando for o
caso, retornar
mais tarde. Coloridos e saudáveis...
Se o mundo anda meio sem jeito, se as notícias são de
guerras, mortes, roubos, violência
enfim, presenteie-se
com atitude. O mundo muda para melhor a
cada
gesto de bondade que fazemos. Gestos que
fazem o
metro quadrado à nossa volta ser um
lugar melhor. Não
podemos desistir de fazer bondades,
mesmo que pareçam
pequenas. Os mares não existiriam sem as
pequenas
gotas.
Presenteie-se!
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PRESENTE
sexta-feira, 13 de setembro de 2013
ROLETA RUSSA
E se, repentinamente, eu me convencesse
de que estes olhos se me tornaram
grande razão
...pra sorrir?
...pra viver?
...pra morrer?
Melhor não pensar:
pode ser que eu não soubesse bem qual opção escolher.
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ALADAS
Fez o sol que esperávamos
e um vento perfeitamente ideal.
Nas asas coloridas da manhã
só senti tua ausência,
sem motivos...
inesperada...
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
GEOMETRICAMENTE
Cantar estrofes por pura alegria
e, livre de receios ou temores,
versificar em nome dos amores,
da paz, da terra, da própria poesia,
é possuir o universo nas mãos,
e, assim, brincar de ser onipotente.
É acreditar que no seu coração
se realiza tudo o que se sente.
Arrancar as palavras dos teclados
e libertá-las às cores, aos ventos,
ao céu, às ruas, às casas, ao povo,
é libertar também o pensamento
e desacorrentar-se do passado.
É ter coragem de viver o novo!
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